Atualizado às 10: 10, por Neto Gaia

Sidônio Palmeira vence briga com PT e Fazenda; governo usa saldo das apostas online e promessa de quitação de dívidas como arma para reeleger Lula
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as apostas online no País passou por muitas idas e vindas antes de ser anunciada nesta sexta-feira, 25, e enfrentou várias divergências no governo e no PT.

Pesquisas de intenção de voto indicando obstáculos inesperados na campanha petista, porém, falaram mais alto do que as contradições embutidas na Medida Provisória que interrompeu as atividades das bets.
Houve muitos senões na equipe econômica sobre a conveniência de extinguir todas as bets ou apenas os cassinos digitais, como o jogo do Tigrinho, às vésperas das eleições. Não sem motivo: sem as apostas online, o governo perderá uma arrecadação mensal de aproximadamente R$ 800 milhões. Mas o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, venceu a briga.
Desde que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, começou a encostar em Lula nas pesquisas, Sidônio tentou acalmar o PT. Com base em monitoramentos de redes sociais, os chamados trackings, e pesquisas qualitativas – que medem as impressões dos eleitores –, o ministro avisou, no entanto, que o Planalto precisava tomar medidas de impacto para mudar o rumo da campanha.
O homem responsável pela propaganda do governo orientou o aumento do ataque a Flávio em muitos decibéis e pediu a Lula que tomasse distância regulamentar de amigos, parentes e aliados enroscados. O ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e até o empresário Fábio Luís, o Lulinha, foram incluídos nessa lista. O presidente, porém, nem sempre ouvia o ministro.
Lula não ouviu Sidônio, por exemplo, quando foi aconselhado a não ficar ao lado do ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA), no ato em Salvador, em 1.º de julho. Wagner teve o nome citado no escândalo do Banco Master e essa imagem não era conveniente para a campanha. O presidente ignorou o conselho e apareceu em várias fotos levantando a mão do senador.
Além disso, teve posição hesitante em relação ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após relatório da Polícia Federal mostrar que o magistrado trocou mensagens suspeitas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Pedro Kirilos/Estadão
