Publicado às 9: 45

Bets são tragédia anunciada porque cresceram de forma desordenada no Brasil; já programa de crédito insiste em agenda que já deu errado
Acabar com o mercado de bets foi a decisão correta do governo Lula, mas feita da forma equivocada. Correta porque ficou claro que o mercado regulado não foi capaz de evitar os danos causados pelos jogos e porque facilitou que apostadores iniciantes ficassem expostos ao vício. Errada porque foi feita às pressas, quebrando as regras do jogo, afetando o planejamento de empresas e com viés claramente eleitoral.
As bets são uma tragédia anunciada e cresceram no Brasil de forma desordenada. O governo Temer liberou os jogos, o governo Bolsonaro fingiu que não viu e o mercado cresceu sem freios. Depois, veio a regulamentação do governo Lula, que ocorreu sob viés majoritariamente arrecadatório, dentro da lógica de ajuste das contas públicas pelo lado da receita, do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Foto: Wilton Junior/Estadão
A falta de cuidados na prevenção ficou evidente no excesso de propaganda que ocorreu durante a exibição da Copa do Mundo deste ano, com influência sobre crianças, idosos e adolescentes. Pressionado, o governo se mexeu e apertou as regras para publicidade. Mas o estrago já estava feito e ajudou a impulsionar os indicadores de endividamento e inadimplência.
Os custos diretos para o Sistema Único de Saúde (SUS), como pontuou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, podem chegar a R$ 38,8 bilhões por ano. A conta, na verdade, é imensurável, ao levar em consideração os impactos dos jogos sobre a saúde mental das famílias, incluindo casos de suicídio e depressão.
O problema é a forma como a Medida Provisória foi editada e em que tempo. Como pontuou o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, em entrevista ao Poder 360, foi o Congresso brasileiro que autorizou a abertura do mercado e promoveu a sua regulação. Empresas fizeram planejamento, investimentos, contrataram funcionários e agora, com uma canetada, esse mercado deixou de existir.
A nota do clube, contudo, ao falar em “fim do futebol brasileiro”, acabou tendo o efeito contrário do que a entidade esperava, não só pelo exagero, mas pela falta de sensibilidade com o problema que atinge também parte dos seus torcedores.
Por Alvaro Gribel
