Lula endurece ataques a Flávio na TV com caso Master; senador promete reajustar o Bolsa Família

By Neto Gaia out10,2026

Atualizado às 16: 00.

Campanha petista amplia críticas ao adversário no segundo dia de propaganda; candidato do PL mantém promessas sobre programas sociais…

Lula e Flávio Bolsobaro se enfrentaram no dia 25 deste mês durante o segundo turno das eleições
Lula e Flávio Bolsobaro se enfrentaram no dia 25 deste mês durante o segundo turno das eleições — Foto: Nelson Almeida e Brenno Carvalho

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu neste sábado os ataques a Flávio Bolsonaro (PL) no horário eleitoral do segundo turno, explorando o caso Banco Master. A propaganda também associou o adversário à defesa das apostas eletrônicas, acusou-o de querer entregar o Brasil aos Estados Unidos e o chamou de “amigo de bandido”. Flávio, por sua vez, repetiu as principais promessas apresentadas na estreia da propaganda eleitoral, na sexta-feira, incluindo a manutenção e o reajuste do Bolsa Família.

A ofensiva amplia a estratégia adotada por Lula no primeiro dia do horário eleitoral do segundo turno. Na sexta-feira, a campanha petista concentrou os ataques no risco de perda de direitos sociais e trabalhistas em um eventual governo do PL, com críticas à política de armas do bolsonarismo e à promessa de um “tesouraço” nos gastos públicos. Neste sábado, além de manter o discurso sobre possíveis retrocessos, a propaganda passou a explorar episódios e acusações envolvendo diretamente Flávio e seu vice.

Em um dos trechos, a propaganda apresentou uma comparação entre as duas chapas presidenciais, contrapondo Lula e Geraldo Alckmin (PSB) a Flávio e Alfredo Gaspar. Enquanto destacava a trajetória dos integrantes da chapa petista, a locutora mencionou suspeitas envolvendo os adversários.

— Flávio Bolsonaro, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do Banco Master, e Alfredo Gaspar, alvo de um pedido de investigação por estupro de vulnerável contra uma menina de 13 anos — afirmou a locutora.

A referência a Gaspar ocorre quatro dias depois de o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o arquivamento do pedido de investigação. A decisão, tomada na terça-feira, atendeu a uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou falta de provas e contradições nos relatos apresentados. O ministro concluiu que não havia indícios suficientes sequer para a abertura de um inquérito. Gaspar sempre negou a acusação e afirmou que pretende responsabilizar judicialmente os parlamentares que a divulgaram.

O caso Master também apareceu em outro momento da propaganda, em um quadro que comparava as entregas dos candidatos. A campanha afirmou que Flávio “não entrega nem os comprovantes do dinheiro que recebeu do banqueiro ladrão”, em referência a Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira. O programa ainda acusou o senador de defender as apostas eletrônicas, enquanto apresentou Lula como responsável pelo combate às bets, associadas pela campanha ao endividamento das famílias.

A propaganda de Lula exibiu uma fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma milícia privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A imagem foi divulgada em julho pelo portal ICL Notícias. Na ocasião, Flávio negou conhecer Mourão e afirmou que costuma tirar fotografias com pessoas que o abordam nas ruas, sem ter como identificar todas elas. Segundo a PF, Sicário coordenava um grupo responsável por monitorar e intimidar alvos de interesse de Vorcaro. Ele morreu em março, após tentar tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal.

A campanha petista utilizou a fotografia em uma sequência de ataques à atuação de Flávio na área de segurança pública, procurando confrontar o discurso do senador de endurecimento do combate ao crime organizado.

— Flávio Bolsonaro não tem moral para combater nada, muito menos para ser presidente do país. Flávio é amigo de bandido, amigo de meliante — afirmou a locução.

O programa também acusou o candidato do PL de querer entregar o Brasil aos Estados Unidos, em uma tentativa de disputar o discurso sobre soberania nacional. Em um dos trechos, a locução afirmou que “só o Bolsonaro quer entregar o Brasil para os americanos”.

Ao mesmo tempo, Lula manteve a estratégia de apresentar a eleição como uma escolha entre preservar conquistas e correr o risco de perdê-las. Logo na abertura, uma locução alertou que determinadas decisões não podem ser desfeitas, enquanto apareciam na tela referências a dois dias de descanso semanal, valorização do salário mínimo, Mais Médicos e reajustes das aposentadorias, sugerindo que esses direitos e políticas poderiam ficar ameaçados em um eventual governo do adversário.

— Tem escolhas que você faz hoje e depois não tem como recuperar o que você perdeu. Porque na sua vida não existe aquele botão de voltar atrás. Existe o que está nas suas mãos e o que você deixou escapar. A decisão é toda sua. Não deixe ninguém levar o que você conquistou — afirmou a locução.

A campanha voltou a destacar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a redução de tributos sobre a cesta básica e a defesa do fim da escala 6×1. Na segurança pública, Lula apresentou a proposta de integrar a Polícia Federal às forças estaduais e municipais por meio do Sistema Único de Segurança Pública.

Flávio repete programa da estreia

Enquanto a propaganda petista ampliou as frentes de ataque, Flávio manteve praticamente inalterado o conteúdo exibido na sexta-feira. O senador voltou a explorar o resultado do primeiro turno, no qual recebeu mais de 56 milhões de votos, e apresentou sua candidatura como a continuidade de uma mudança que, segundo ele, já teria começado nas urnas.

— A gente não está começando aqui uma nova campanha no segundo turno. A gente está dando o passo final para uma mudança que já começou. No segundo turno, o Brasil já decidiu, votou na mudança — afirmou.

O programa repetiu o quadro de perguntas e respostas utilizado na estreia para rebater a campanha petista sobre o risco de perda de benefícios sociais. Flávio voltou a prometer a manutenção do Farmácia Popular e do Minha Casa Minha Vida, além do reajuste do Bolsa Família. Também reiterou que pretende permitir que beneficiários do programa continuem recebendo o auxílio mesmo após conseguir emprego.

— Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício — disse.

Também foram reapresentadas propostas como o “tesouraço” nos impostos, a criação de um voucher-creche, a implantação do Smart Brasil, uma rede nacional de monitoramento por câmeras, e a criação de um Ministério da Prosperidade, voltado à qualificação profissional, ao crédito e ao empreendedorismo.

Assim como na sexta-feira, Flávio procurou associar a candidatura à formação de uma base ampliada no Congresso, após a eleição de deputados e senadores aliados. O programa também manteve o discurso de que o país já teria escolhido a mudança no primeiro turno.

Neste contexto, recorreu a apoiadores e exibiu participações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e do senador e governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL). Lula, por sua vez, apostou na presença de artistas, como os atores Wagner Moura e Malu Mader. Fonte: (“Luísa Marzullo – Brasília, para Neto Gaia”)

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