Publicado por Neto Gaia, às 16: 10
Promessa amplia o desafio do ajuste fiscal defendido pelo candidato do PL
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira que pretende conceder reajustes de aposentadorias acima da inflação caso seja eleito, apesar de defender um ajuste nas contas públicas.

Questionado sobre a possibilidade de desvincular benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, o senador descartou economizar com aposentados, mas não detalhou como pretende conciliar a promessa de aumento real com a contenção dos gastos federais.
— Das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo — disse.
Na sequência, perguntado se concederia reajustes acima da inflação, respondeu: Sim.
A promessa amplia os desafios para o ajuste fiscal defendido pelo candidato – a campanha fala em economia de 1,5% do PIB, algo de cerca de R$ 200 bilhões. As despesas com Previdência representam metade dos gastos do governo federal.
São R$ 1,2 trilhão destinados aos benefícios previdenciários no ano que vem, por exemplo. Reajustes superiores à inflação elevam essas despesas de forma permanente, pressionando as contas públicas e reduzindo o espaço para outros gastos.
Atualmente, as aposentadorias equivalentes ao piso previdenciário acompanham a política de valorização do salário mínimo, que prevê ganhos reais. Já os benefícios superiores ao mínimo são corrigidos anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem aumento real automático. Flávio não esclareceu se pretende estender a valorização a todos os aposentados.
O salário mínimo também está atrelado ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), ao abono salarial e ao seguro-desemprego, por exemplo.
Durante o governo Jair Bolsonaro, o salário era reajustado seguindo a inflação.
Ao justificar sua posição, o senador citou as dificuldades financeiras dos próprios avós e afirmou que pretende buscar recursos no combate à corrupção e ao desperdício de dinheiro público.
Minha avó é professora aposentada do estado. Eu sei a dificuldade que ela tem de fazer compra no final do mês. Meus irmãos têm que ajudar a minha avó e meu avô de vez em quando, porque os dois são aposentados. O Brasil é riquíssimo e tem muito de onde tirar — disse.
Flávio também criticou os resultados das empresas estatais durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não apresentou estimativas de economia nem indicou medidas específicas para compensar o impacto de eventuais aumentos reais nas aposentadorias. Por Luísa Marzullo
Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
