Com incerteza até o fim, campanha chega ao dia do voto com indecisão em alta e polarização em níveis inéditos

By Neto Gaia out4,2026

Atualizado por Neto Gaia, às 7: 40

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Seguindo… Mais uma vez, preferência está concentrada entre o lulismo e o bolsonarismo

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lideram intenções de votos de eleição mais uma vez polarizada entre lulismo e bolsonarismo
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lideram intenções de votos de eleição mais uma vez polarizada entre lulismo e bolsonarismo — Foto: Ilustrablack

A mais imprevisível eleição desde a redemocratização chega ao dia do primeiro turno com a menor distância nas pesquisas entre os dois principais candidatos à Presidência. Marcada pelas investigações envolvendo o Banco Master e o protagonismo inédito dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no debate público, a campanha demorou a atrair o interesse do eleitor, que mais uma vez concentrou a preferência na polarização entre o lulismo e o bolsonarismo, deixando de lado as alternativas que se apresentaram para o Palácio do Planalto.

As pesquisas da véspera da votação não permitem uma projeção definitiva de qualquer cenário (mais detalhes na página 5). Há alto índice de indecisos nas sondagens espontâneas divulgadas ontem por Quaest (17%) e Datafolha (11%).

Nos levantamentos, o presidente Lula (PT) segue na liderança, mas a distância para o senador Flávio Bolsonaro (PL) caiu. Segundo a Quaest, o petista chega às urnas com 46% das intenções de votos válidos contra 45% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No Datafolha, Lula marca 45% ante 42% de Flávio.

Ao longo da campanha, o desempenho somado dos candidatos do terceiro pelotão — Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) — vem caindo, em nítido movimento de voto útil na reta final. Como há expectativa de aumento da abstenção e de votos brancos e nulos, analistas não descartam a possibilidade de término da corrida no primeiro turno, embora o cenário mais provável seja de que a disputa acabe apenas em 25 de outubro.

Uma eleição acirrada a esse ponto não estava no radar do PT. Há quatro anos, após Lula vencer Bolsonaro por dois milhões de votos e conquistar o seu terceiro mandato, a esquerda apostou que a condenação do ex-presidente no julgamento da trama golpista, em setembro de 2025, seria um golpe derradeiro para a família parar de dar as cartas na direita brasileira.

O cenário não se concretizou. Em dezembro, Bolsonaro escolheu o próprio filho para concorrer ao Planalto. O PT comemorou o anúncio da pré-candidatura. O partido tinha receio de que o candidato escolhido fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A partir de maio, a certeza da vitória na esquerda aumentou com o vazamento do áudio de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, a quem pediu recursos para o filme “Dark horse”. A briga pública do senador com a madrasta Michelle Bolsonaro, no mês seguinte, fez subir ainda mais a sensação de favoritismo do PT.

Lula levou eleitores à Rua Augusta, em São Paulo, no último ato de campanha antes do primeiro turno — Foto: Maria Isabel Oliveira
Lula levou eleitores à Rua Augusta, em São Paulo, no último ato de campanha antes do primeiro turno — Foto: Maria Isabel Oliveira

Em agosto, a campanha eleitoral começou e, aos poucos, Flávio foi reduzindo a diferença nas pesquisas. No quesito escândalos, o noticiário que antes só afetava o filho do ex-presidente passou a impactar outras figuras relevantes. Investigações por tráfico de influência e corrupção contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vieram à tona e impactaram a popularidade do presidente.

Além disso, a exposição da relação de ministros do Supremo como Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques com Daniel Vorcaro e o bate-boca de André Mendonça e Gilmar Mendes derrubaram a imagem da Corte, alvo preferido do bolsonarismo nos últimos anos.

Flávio Bolsonaro atraiu apoiadores para uma motocarreata em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, neste sábado — Foto: Guito Moreto
Flávio Bolsonaro atraiu apoiadores para uma motocarreata em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, neste sábado — Foto: Guito Moreto

Foi também uma campanha marcada por decisões judiciais de relevante impacto no processo eleitoral. As mais recentes fizeram a TV Globo cancelar o debate previsto para a quinta-feira passada. Dos debates, aliás, os candidatos passaram longe. Não houve um encontro sequer que reunisse Lula e Flávio.

O ambiente com o Supremo protagonista impulsionou o principal mote bolsonarista para o Senado. Fechadas as urnas na noite de hoje, é provável que aliados de Bolsonaro consigam crescer de forma significativa na Casa responsável por abrir processos de impeachment contra integrantes da Corte.

A imprevisibilidade também dá as caras no Rio. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) lidera as pesquisas, mas a possibilidade de vencer já no primeiro turno e evitar um embate direto com Douglas Ruas (PL) não é garantida.

O que contribui para a incerteza em torno da disputa e pode ajudar Paes é a situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos), o terceiro colocado — que é uma novela à parte. Caso os votos do ex-governador sejam mesmo anulados, o montante de sufrágios válidos ficaria reduzido, o que em tese favorece Paes, autor de ação contra a candidatura dele na Justiça.

Se na eleição nacional e no Rio a imprevisibilidade impera, em São Paulo a disputa está praticamente dada. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem vantagem mais que confortável para ser reeleito no primeiro turno. Notório cumpridor de missões do presidente Lula, Fernando Haddad (PT) não conseguirá um segundo turno, segundo todas as pesquisas.

Há outros estados com possibilidade de desfecho no primeiro turno, com destaque para Minas Gerais. Depois de quase não se candidatar, Cleitinho Azevedo (Republicanos) desponta hoje com mais da metade dos votos válidos. No Nordeste, locais como Bahia, Pernambuco e Ceará vivenciaram campanhas acaloradas e polarizadas. Como não há terceiros colocados competitivos, também é provável que elas acabem hoje.

Cobertura do 1º turno

Para facilitar e enriquecer a cobertura da apuração das eleições 2026, neste domingo (4), a partir das 17h, o GLOBO desenvolveu um ambiente especial com um menu que contempla os cinco cargos em disputa (presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual) e pode ser acessado pelo site e pelo aplicativo do jornal. No mapa, o leitor vê quem está liderando, quem foi eleito ou quem irá para o segundo turno em cada um dos 26 estados, no Distrito federal e nos 5.569 municípios. Também é possível conferir a votação nas zonas eleitorais, a nova divisão partidária do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas e a composição do Senado. Por Thiago Padro.

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