Por Míriam Leitão 01/10/2026 10h 41 | Atualizado por Neto Gaia, às 11: 15

Durante esta campanha, o Brasil foi capturado por assuntos como a crise do STF, o caso de Nossa Senhora Aparecida, e não discutiu o que fazer com a educação, com a saúde, sobre os muitos desafios já impostos pelas mudanças climáticas, ou como enfrentar as contas públicas. Nenhuma candidatura apresentou um plano consistente sobre como reduzir o déficit público. O assunto apontado como o que mais preocupa todo mundo em todas as pesquisas, que é a violência, também não esteve no centro do debate.
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Às vezes, numa eleição, há a reclamação de que se esqueceu de um assunto. Dessa vez, faltou discutir tudo.
A gente não se preparou para esse momento como deveria. E é importante lembrar que há muita coisa em jogo. São seis cargos em disputa, e todas as candidaturas aos legislativos estaduais e federal serão decididas no domingo. Só para a Câmara Federal são 513 deputados federais e 54 senadores, o que representa dois terços do Senado. Na corrida pelos governos estaduais e para presidente, poderá haver segundo turno, mas, para o Legislativo em três níveis — Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal —, a decisão é no primeiro turno.
A pobreza do debate é ruim, porque uma eleição é uma grande oportunidade de se pensar o país. Uma oportunidade que, até agora, foi perdida. Vamos esperar que, no debate desta noite entre os presidenciáveis tenhamos mais ideias do que ataques. E que, num segundo turno, se façam conversas de qualidade, sobre assuntos que realmente importam.
Neste aspecto é muito ruim a decisão do presidente Lula de não participar do debate. É ruim do ponto de vista para o país, para a democracia. Lula tem tido em todas as pesquisas o maior percentual de intenção de votos no primeiro turno. O ideal é que ele aproveitasse o espaço para explicar seu projeto para um possível novo mandato.
