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Seguindo informações na ordem do dia: Flávio Bolsonaro (PL) pede abertamente o movimento, já registrado em estados para os dois lados
Por Caio Sartori

O encolhimento dos candidatos do pelotão inferior nas pesquisas recentes reforça a possibilidade de repetição do tradicional movimento de “voto útil” nas eleições brasileiras. É comum que o presidenciável mais competitivo contra o do PT cresça nos dias finais, um padrão que Flávio Bolsonaro (PL) tenta repetir. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encara, pela primeira vez, uma eleição sem candidatos de centro ou centro-esquerda, o que limita o potencial de migração para ele na reta final. O desafio do petista é outro: evitar a abstenção, habitual problema para o partido.
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Essas duas missões, além da busca pelos indecisos, mobilizam as campanhas até domingo, mas os caminhos definidos são diferentes. Lula confirmou ontem que não comparecerá ao debate da TV Globo, marcado para hoje à noite. Vai participar, simultaneamente, do Flow Podcast. Para Flávio, embora corra o risco de ser alvo de ataques dos demais candidatos de direita, o encontro na emissora será uma oportunidade para martelar o pedido pelo voto útil. Uma dificuldade específica este ano é a alta rejeição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que bateu 56% na última Quaest.
— (Peço) àqueles que ainda estão considerando votar em Flávio Bolsonaro só no segundo turno para pensarem em dar uma oportunidade de votar já no primeiro turno, com todo o respeito aos meus concorrentes, porque o Brasil tem que começar a mudar rápido. Ninguém aguenta mais um dia desse governo — disse o candidato do PL durante compromisso em São Paulo nesta semana.
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Embora haja uma afinidade ideológica entre Flávio e candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e até Augusto Cury (Avante) em alguns pontos, o filho de Bolsonaro foi alvo de críticas deles em diversos momentos da campanha.
Zema foi o primeiro a romper o cordão com o bolsonarismo, ainda em maio, quando houve a revelação das conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Perto da campanha, Caiado também passou a ser mais duro em relação ao candidato do PL, algo que sempre foi a tônica de Renan. O candidato do Missão chegou a afirmar que conversar com Flávio seria “formação de quadrilha”. Já Augusto Cury deu declarações como a de que a ética de Flávio é “insana”.
Para Lula, além de enfrentar a tradição de crescimento dos candidatos antipetistas, a eleição deste ano traz como novidade o fato de não haver candidaturas muito propensas à desidratação em prol do crescimento dele, embora o movimento tenha sido detectado pela Quaest em estados como Minas Gerais e Pernambuco. Por isso, um dos objetivos é evitar o fantasma da abstenção, à qual se atribui, em parte, o fato de o PT nunca ter vencido uma eleição em primeiro turno — nem mesmo quando vivia o auge da popularidade.
Embora analistas destaquem que o “não voto” tem caráter mais multifacetado hoje em dia, o histórico mostra que os petistas são mais prejudicados. Eleitores de baixa renda, faixa em que Lula vai bem, comparecem menos que os de renda média ou alta. Os idosos, hoje o grupo etário em que o presidente abre maior vantagem contra Flávio, também tendem a aparecer menos no dia do voto.
— Precisamos convencer as pessoas de 70 anos a votar. Levanta a bunda e vai votar, o Brasil precisa de você — disse o presidente no Rio na semana passada.
Há quatro anos, o então opositor tinha 50% dos votos válidos na pesquisa Datafolha de 29 de setembro, três dias antes da eleição. Acabou conseguindo 48% nas urnas, o que frustrou a esperança de vencer no primeiro turno. Jair Bolsonaro, por sua vez, registrou um crescimento acentuado nos últimos dias. Contava com 36% das intenções na mesma pesquisa, mas teve 43%.
As movimentações naquele ano se deram na esteira da diminuição dos demais candidatos. No levantamento de três dias antes, eles somavam 14% dos votos válidos, mas não chegaram a 10% no resultado final.
Perspectiva de poder
Agora, segundo a pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, os presidenciáveis que pontuam bem abaixo de Lula e Flávio têm juntos 12%. O desempenho ruim, aponta o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV EAESP, joga luz sobre o processo de antecipação da tomada de decisão do eleitor, a partir da perspectiva de poder associada ao petista e ao bolsonarista.
— Existe uma crença de que seremos governados por Flávio ou Lula, e que o processo está muito conturbado, então muita gente prefere exercer essa preferência já no primeiro turno.
A própria qualidade do debate político, avalia Teixeira, contribui para o cansaço e para o desejo de resolver logo a eleição. Foi, afinal, uma campanha marcada por escândalos e acusações. Na Quaest, Flávio é rejeitado por 56%, e Lula por 54%.
