PT alega frota de ônibus reduzida em São Paulo e pede prisão de secretário de Transporte

By Neto Gaia out25,2026

Prefeitura afirma que foi notificada somente no sábado sobre necessidade de ampliação de frota e alegou ‘dificuldade de readequar escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas’; TRE-SP ainda não decidi

Por Filipe Vidon e Hyndara Freitas

Fila no ponto de ônibus em São Paulo
Fila no ponto de ônibus em São Paulo — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo pediu que a Justiça Eleitoral decrete a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transportes, Celso Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, alegando que os ônibus da capital estão circulando com frota reduzida neste domingo (25), quando ocorre o segundo turno das eleições presidenciais. Ainda não houve decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

Segundo a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a cidade estaria operando com apenas 60% dos veículos, um descumprimento de uma decisão da Justiça Eleitoral proferida na sexta-feira (23), que determinou a circulação de da frota, a mesma usada de segunda a sexta-feira. A campanha solicita “o restabelecimento imediato da operação integral dos ônibus e a apresentação, pela Prefeitura e pela SPTrans, dos dados de monitoramento da frota desde o início do dia, discriminados por região e empresa operadora”.

“A redução da frota não decorre de limitação técnica, mas de opção do órgão gestor, que, ciente da ordem judicial desde a véspera, deixou de mobilizar tempestivamente a operação e mantém quase 4 mil ônibus parados enquanto as seções estão abertas”, argumentam os advogados do PT no pedido feito à Justiça neste domingo.

A gestão Ricardo Nunes (MDB), por sua vez, afirma que notificou no sábado (24) as empresas sobre a necessidade de operarem no mesmo esquema dos dias úteis, mas que “a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos” e que houve dificuldade de readequar “escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas”. Isso porque a prefeitura planejava operar com a escala de sábado, assim como fez no primeiro turno da eleição.

“A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição. O planejamento originalmente estabelecido pela SPTrans foi elaborado com base em critérios técnicos e em dados efetivos de demanda. No domingo anterior, aproximadamente 6,9 mil ônibus estiveram em operação, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros. Esses indicadores subsidiaram a definição de uma oferta de transporte compatível com o comportamento observado da demanda”, informou a prefeitura em nota.

Em nota, o TRE-SP afirmou que recebeu “a petição da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com relatos informando que há poucos ônibus circulando pela cidade de São Paulo para garantir o transporte de eleitores” e que o caso foi encaminhado à 1ª Zona Eleitoral para as providências cabíveis.

“Ainda não há decisão na petição recebida hoje. Eventuais denúncias envolvendo redução ou interrupção de serviços que possam comprometer o exercício do voto podem ser encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral e à Defensoria Pública da União, para avaliação das providências cabíveis”, acrescentou o tribunal.

A demora em conseguir ônibus tem sido relatada por eleitores de São Paulo e também de outras cidades. Mais cedo, o TRE-BA mandou prender Pablo Souza, secretário de mobilidade de Salvador, porque cerca de 75 ônibus do transporte público da capital baiana foram impedidos de sair de garagens por terem adesivos com o número de votação de Lula. De acordo com a GloboNews, a Polícia Federal afirmou que o secretário está no exterior. O chefe da pasta viajou à capital francesa para participar de eventos institucionais.

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