O anúncio que ligou o sinal de alerta na campanha de Flávio Bolsonaro ainda durante a votação

By Neto Gaia out6,2026

Atualizado por Neto Gaia, às 7: 35

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Um movimento do governo Lula ligou um sinal de alerta na cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ainda durante a votação do primeiro turno e com as urnas abertas: a abertura de um inquérito sobre a suposta interferência dos Estados Unidos na eleição. A decisão, anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues, foi motivada pela publicação de uma reportagem do The Guardian segundo a qual um projeto do governo dos Estados Unidos prevê recursos para grupos da sociedade civil que se opõem ao que classificam como abuso de poder judicial e censura por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pelo documento a que o jornal teve acesso, cerca de R$ 5,2 milhões seriam direcionados ao Brasil por meio do projeto “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”. Não se sabe, porém, se o dinheiro chegou a ser enviado, quanto e para quem.

Segundo Rodrigues, o inquérito foi pedido pela Advocacia-Geral da União (AGU). A apuração está em andamento na Diretoria de Inteligência da PF, em caráter preliminar.

“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, declarou o diretor-geral no domingo.

A portaria de instauração do inquérito ainda não foi publicada. Pedido semelhante foi feito nesta semana pelo PT ao Supremo, mas a PF foi mais rápida.

Em julho passado, porém, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra um pedido similar apresentado pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), depois que o mesmo edital do Departamento de Estado do governo Donald Trump abordado na semana passada pelo The Guardian foi reportado pelo site Brasil 247 no fim de junho.

Na ocasião, o procurador-geral, Paulo Gonet, entendeu que não havia evidências mínimas de interferência americana para instaurar um procedimento preliminar com base em uma reportagem. Menos de três meses depois, a PF adotou um entendimento diferente em um caso similar. Nas redes sociais, o advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou que a decisão da corporação atendeu a um pedido da AGU. Por Malu Gaspar (para), Neto Gaia.

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