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El País, Le Monde, Clarín, Expresso e La Repubblica destacaram tom mais moderado do confronto, ataques entre os candidatos e provocação de Flávio Bolsonaro sobre os ‘nove dedos’ de Lula

Foto: Globo/ Manoella Mello
O último debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira, pela TV Globo, repercutiu na imprensa internacional. Veículos da Espanha e da França destacaram a postura mais ofensiva do petista, as tentativas do adversário de adotar um tom moderado e os momentos de tensão no confronto, realizado a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais. Os jornais também ressaltaram que o encontro ocorreu em meio ao empate entre os candidatos nas pesquisas de intenção de voto.
El País: Lula coloca Bolsonaro na defensiva
O jornal espanhol El País destacou, já na manchete, que Lula conseguiu colocar Flávio Bolsonaro na defensiva durante o último confronto antes das urnas. Segundo a publicação, o debate teve um tom mais construtivo do que o primeiro encontro, realizado pela Band, embora tenha sido marcado por ataques pessoais e acusações de corrupção. O veículo avaliou que o presidente começou o confronto de maneira hesitante, mas terminou assumindo o controle da discussão.
A reportagem ressaltou que Flávio procurou apresentar uma versão mais moderada de si mesmo, com acenos ao eleitorado feminino e aos eleitores de centro. O senador defendeu programas sociais, prometeu aumentos reais para o salário mínimo e as aposentadorias e chegou a pedir desculpas por ter votado contra a ampliação da licença-maternidade. O tom mudou, porém, quando o debate chegou à segurança pública.
Nesse momento, segundo o jornal, Lula colocou o adversário na defensiva ao questioná-lo sobre a atuação em defesa de um policial acusado de matar uma menina de cinco anos em Niterói, em 2021. A publicação também destacou a reação do presidente a uma provocação de Flávio sobre a perda de um dedo da mão esquerda, em um acidente de trabalho, episódio que Lula aproveitou para contrapor sua trajetória como metalúrgico à do senador.
“Lula coloca Bolsonaro na defensiva no último debate antes das urnas”, afirmou o El País na manchete. O jornal destacou ainda que o petista contrapôs sua origem operária à trajetória política do adversário, enquanto Flávio insistiu em uma versão mais moderada de si mesmo.
Le Monde: Flávio mais moderado, Lula mais ofensivo
O francês Le Monde classificou o encontro como um “debate crucial” para uma eleição marcada pelo empate nas pesquisas. Em sua manchete, o jornal descreveu Flávio Bolsonaro como mais comedido e Lula como mais ofensivo, destacando que o senador procurou abandonar a postura provocadora exibida no primeiro confronto.
Segundo a reportagem, Flávio conseguiu apresentar suas propostas econômicas, especialmente ao abordar o custo de vida e o endividamento das famílias. No entanto, o jornal avaliou que o candidato cometeu um erro ao fazer uma referência aos nove dedos de Lula. A provocação acabou se voltando contra o senador, depois que o presidente relacionou o episódio à realidade dos trabalhadores brasileiros e exigiu um pedido de desculpas.
O veículo ouviu especialistas que consideraram a reação de Lula um dos momentos mais marcantes da noite. A cientista política Carolina Botelho avaliou que a declaração de Flávio foi discriminatória e que o presidente soube responder à provocação. Já o professor Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC, afirmou que o desempenho do petista foi o melhor que acompanhou em debates desde 1982.
O Le Monde também destacou o confronto sobre segurança pública, especialmente quando Lula questionou Flávio a respeito do policial acusado de matar uma criança em Niterói. Na avaliação apresentada pela reportagem, o formato mais organizado do debate dificultou a estratégia de provocações do senador, que havia se destacado no primeiro encontro por gesticular atrás do adversário.
“Flávio Bolsonaro mais comedido, Lula mais ofensivo durante um segundo debate crucial”, resumiu o Le Monde na manchete. O jornal ressaltou que, embora o senador tenha conseguido desenvolver suas propostas econômicas, uma provocação pessoal contra Lula acabou se voltando contra ele.
Clarín: debate mais organizado, mas sem vencedor claro
O argentino Clarín avaliou que Lula e Flávio Bolsonaro mediram forças em um debate mais organizado, mas sem que fosse possível apontar um vencedor claro. Segundo o jornal, os dois candidatos chegaram preparados ao confronto, reagiram rapidamente às provocações e tiveram bons momentos nas discussões. A publicação destacou que ambos procuraram evitar erros capazes de comprometer suas campanhas na reta final da disputa.
A economia ocupou espaço central na análise do veículo. Flávio explorou o custo de vida e a inflação dos alimentos, dirigindo-se diretamente aos telespectadores para questionar o poder de compra das famílias. Lula, por sua vez, procurou constranger o adversário ao comparar os reajustes do salário mínimo de seu governo com os do mandato de Jair Bolsonaro. O jornal também ressaltou a troca de acusações envolvendo as políticas econômicas do presidente argentino Javier Milei.
O Clarín apontou ainda a provocação de Flávio sobre os nove dedos de Lula como um erro importante do senador, que acabou pedindo desculpas após a reação do presidente. Para o veículo, a mudança no formato em relação ao primeiro debate contribuiu para um confronto mais organizado, com os candidatos buscando conquistar principalmente os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
“Em um debate mais organizado, Lula e Flávio Bolsonaro mediram forças, mas não houve um vencedor claro”, destacou o Clarín.
Expresso: defesa da democracia e apelo religioso
O português Expresso chamou atenção para as mensagens dos dois candidatos no encerramento do último debate presidencial. A publicação destacou, na manchete, o contraste entre o apelo de Lula para manter a democracia funcionando e o pedido de Flávio Bolsonaro para que os eleitores rezassem um Pai-Nosso antes de decidir o voto no domingo.
Nas considerações finais, Lula procurou associar sua candidatura à defesa da democracia e retomou as acusações contra o adversário, a quem chamou de “miliciano”. O presidente também relembrou sua trajetória como trabalhador e afirmou que a eleição colocaria em jogo os rumos democráticos do país.
Flávio, por sua vez, reforçou promessas relacionadas ao poder de compra e à segurança pública. O senador encerrou sua participação com uma mensagem religiosa, pedindo que os brasileiros rezassem para tomar a decisão correta nas urnas. O contraste entre os discursos finais foi o eixo escolhido pelo veículo português para apresentar o confronto.
“O último confronto entre Bolsonaro e Lula: apelos para ‘manter a democracia funcionando’ e ‘rezar um pai nosso'”, destacou o Expresso.
AFP: tom mais moderado, mas com ataques
A agência de notícias France-Presse (AFP) ressaltou que Lula e Flávio Bolsonaro adotaram uma postura mais diplomática no último debate, embora não tenham deixado de lado as provocações. Segundo a agência francesa, o confronto foi menos agressivo que o primeiro encontro, marcado por insultos e pela ausência de propostas concretas. Desta vez, os candidatos discutiram economia, infraestrutura e desenvolvimento regional, mas também trocaram críticas sobre suas trajetórias políticas.
A AFP destacou as tentativas de Flávio de explorar o custo de vida e apresentar o Brasil como um país em dificuldades econômicas. Lula, por sua vez, atacou a falta de experiência do senador e questionou sua proximidade com as propostas de ajuste fiscal do presidente argentino Javier Milei. A agência também repercutiu o episódio em que Flávio fez referência aos nove dedos do presidente, provocando uma reação do petista e um posterior pedido de desculpas.
A reportagem situou o debate em uma disputa eleitoral acirrada, com os dois candidatos empatados nas pesquisas. O veículo ressaltou ainda que o resultado da eleição poderá determinar se o Brasil acompanhará o movimento de fortalecimento da direita em outros países da América Latina ou permanecerá sob um governo de esquerda.
“Lula e Bolsonaro adotam tom mais moderado no último debate eleitoral brasileiro”, destacou a AFP em sua manchete.
La Repubblica: provocação sobre os nove dedos
O jornal italiano La Repubblica destacou o episódio em que Flávio Bolsonaro chamou Lula de “nove dedos”, em referência à perda de um dedo da mão esquerda do presidente em um acidente de trabalho. A publicação classificou a declaração como uma gafe que colocou o candidato da direita em dificuldades durante o último debate antes do segundo turno.

O veículo ressaltou que o confronto teve um tom mais tranquilo do que o anterior, mas acabou marcado pela provocação do senador. O jornal lembrou que Lula perdeu o dedo aos 17 anos, quando trabalhava em turnos noturnos em uma fábrica de São Paulo, e destacou sua reação ao comentário de Flávio.
Na avaliação apresentada pela publicação, a resposta permitiu ao presidente recuperar sua trajetória como trabalhador e confrontar o adversário com sua origem social. O episódio ganhou destaque justamente em um debate no qual Flávio procurava adotar um comportamento mais comedido.
“Brasil, gafe de Bolsonaro: chama Lula de ‘nove dedos’. Presidente indignado: ‘Perdi trabalhando'”, destacou o La Repubblica.
DW: de ‘miliciano’ a ‘nove dedos’
A emissora pública alemã Deutsche Welle (DW), em sua edição em português, reuniu dez momentos marcantes do último confronto entre os candidatos. A publicação destacou que, apesar de ter começado de maneira mais calma e com espaço para a discussão de propostas, o debate voltou a ser marcado por perguntas sem resposta, acusações e ataques pessoais. Entre os episódios de maior repercussão esteve a troca de provocações em que Flávio chamou Lula de “nove dedos” e ouviu do presidente a acusação de ser “miliciano”.
O veículo também chamou atenção para a insistência de Lula em recomendar que os telespectadores pesquisassem no Google as afirmações do adversário, além das críticas de Flávio ao custo de vida, resumidas na frase de que o presidente havia prometido picanha, mas entregado abóbora. A DW destacou ainda momentos de dificuldade dos dois candidatos, como as ocasiões em que Lula se atrapalhou com o cronômetro e a resposta de Flávio sobre a morte de uma menina de cinco anos durante uma ação policial em Niterói.
A publicação também repercutiu a troca de acusações sobre o Banco Master, as discussões envolvendo apostas virtuais e as declarações finais dos presidenciáveis. Lula voltou a associar o resultado da eleição à preservação da democracia, enquanto Flávio fez um apelo religioso aos eleitores. Por O GLOBO / Rio de Janeiro -24/10/2026 09h 22
