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Presidenciáveis apareceram empatados tecnicamente em pesquisas divulgadas na véspera do 2º turn
Por Lauriberto Pompeu e Victoria Azeved (para), Neto Gaia

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram entendimentos diferentes sobre as pesquisas eleitorais divulgadas neste sábado, véspera do segundo turno. Por parte do grupo do candidato do PL há um sentimento de que a eleição está praticamente decidida. Portanto, seria difícil Lula reverter essa diferença de votos. Aliados do petista veem um cenário de acirramento, que será definido por pequena margem, e apostam na redução da abstenção e no aumento da votação do presidente no Nordeste para ser reeleito.
No primeiro turno da eleição, o senador saiu na frente (47,03% ante 45,15%). Tanto o levantamento do Datafolha quanto da Quaest mostraram que o senador tem 51% dos votos válidos, ante 49% do petista, num cenário de empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Aliados de Flávio Bolsonaro viram as pesquisas como uma sinalização de que o candidato do PL não teve seu favoritismo ameaçado nesse segundo turno. A avaliação no entorno do candidato é que o presidenciável chega na véspera da eleição como o nome mais provável de vencer a disputa. O entorno da campanha do candidato entende que há por parte da maioria da população um sentimento de fadiga de material com os governos de Lula e do PT.
O entendimento é que o fato de o grupo de Lula ter comandado o governo federal por quase 20 anos traz naturalmente um desgaste para ele perante o eleitor. É por isso, de acordo com o grupo rival do petista, que a articulação por medidas populares, como o fim da escala de trabalho 6 x 1, o reajuste do Bolsa Família e o perdão das dívidas de microempreendedores individuais (MEI), não surtiram efeito.
Aliados dizem que Flávio soube explorar bem durante a campanha temas que têm mais proximidade com o dia a dia do eleitor, como a crise de endividamento das famílias. Também é atribuída a essa fadiga com os governos do PT o fato do escândalo do Dark Horse não ter inviabilizado Flávio Bolsonaro. O candidato do PL apareceu em diálogos com Daniel Vorcaro, do Banco Master, nos quais pede financiamento ao filme Dark Horse, de homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federa que apura o crime de corrupção no caso, o que ele nega.
Apesar de um cenário de favoritismo, até aliados de Flávio apontam que o senador precisou fazer ajustes de rumo na reta final da disputa. Foi apontada, por exemplo, a diferença de postura adotada pelo senador entre o debate da Band, quando passou um tom mais debochado e evitou responder perguntas, e o da Globo, quando modulou essa postura.
Há uma aposta dentro do grupo que tenta levar Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto que ele deve ganhar um impulso até este domingo, que ainda não foi captado pelas pesquisas. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), diz que a campanha está confiante com uma margem maior de votos favorecendo Flávio Bolsonaro.
Do lado da campanha petista, há uma aposta na mobilização da reta final provocada pelos atos e mobilizações populares que tomaram as ruas nos últimos dias, assim como no ambiente digital, com o deputado André Janones (Rede-MG) liderando um grupo de WhatsApp com mais de 10 milhões de apoiadores do petista.
Nas últimas semanas, a coordenação da candidatura de Lula reforçou o pedido para que os eleitores compareçam às urnas, mirando reduzir a abstenção, além de destacar aliados para acompanhar nos estados a situação de cada um. Um integrante da coordenação diz, sob reserva, que há uma expectativa de que o presidente consiga aumentar sua votação em estados do Nordeste que, combinada com uma redução da abstenção, poderá garantir a vitória do petista.
Um governista que despacha do Palácio do Planalto reconhece que há um sentimento de “balde de água fria” por conta do resultado, diante da expectativa de que o petista pudesse aparecer numericamente à frente. Mas diz que a oscilação foi dentro da margem de erro. Segundo ele, ainda há eleitores indecisos que poderão votar em Lula no domingo, apostando num impacto das mobilizações pró-petista neste sábado. A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado mostrou que há 4% de eleitores indecisos.
Integrante da coordenação de Lula, o jornalista Chagas Vieira diz que as pesquisas mostraram uma oscilação dentro da margem de erro e que isso é “absolutamente natural”.
Essas oscilações são absolutamente naturais e em nenhum momento tira o nosso ânimo. Pelo contrário, só reforça a importância e a força que precisamos ter amanhã com o comparecimento às urnas.
O deputado André Janones organizou uma live 24h que deve acabar na noite deste sábado para engajar a militância petista na reta final do pleito. Após a divulgação das pesquisas, ele afirmou que “a eleição está empatada” e fez um apelo para que as pessoas compareçam às urnas para votar.
A eleição está empatada. Vai ser voto a voto. Nas últimas três eleições, a onda (nas pesquisas da reta final) foi do lado de lá. Nesta eu acredito que está do nosso lado. E é nessa onda que confio e vamos ganhar as eleições. Faço um último apelo: vão votar, não se guiem por pesquisas, não deixe o derrotismo tomar conta de você assim como não deixa o “já ganhou”— disse o deputado.
Os dois presidenciáveis participaram de atos na região Sudeste que atraíram multidões neste último dia de campanha eleitoral. Flávio começou o dia em Belo Horizonte e depois seguiu para o Rio, seu reduto eleitoral. Já Lula participou de ato pela manhã no Rio de Janeiro e à tarde em São Paulo
Foto: DOUGLAS MAGNO e MAURO PIMENTEL / AFP
Com informações do Portal-Neto Gaia, conectado com o mundo.
