Após mais uma publicação do Farol, denunciando atos de vandalismos no Cemitério Público de Serra Talhada (Leia matéria abaixo), o ambientalista Homem Bom de Souza Magalhães, Bonzinho Magalhães, enviou à redação um depoimento que não é apenas um desabafo, mas um alerta às autoridades competentes.

Ele também revela o desejo de não ser sepultado no cemitério de Serra Talhada. Leia abaixo
ALERTA DE BONZINHO MAGALHÃES
“Eu gostaria de expressar a minha indignação com o que tem acontecido no cemitério público de Serra Talhada. Um dia, eu ouvi uma reportagem que tem um chiqueiro de porco invadindo o cemitério, como é o caso do túmulo do meu sogro, o Sr. Joaquim Freire. Então, ao lado direito do túmulo, caiu tudo. Está abandonado, não sei se consertaram há poucos dias.
E com relação ao que aconteceu agora com o túmulo de Tio Expedito, é uma coisa que é um constrangimento a quem preserva a cultura, a quem preserva o espaço do outro, a quem preserva a natureza. E o respeito social? É o meu caso. Eu sou respeitoso com tudo aquilo que se fala da intimidade, da integridade humana, animal, vegetal, espiritual. Então, tudo isso eu penso como preservar dentro desse contexto.
E você vê um cemitério onde uma família tem ali os seus entes queridos e chega o vândalo e faz o que fez. E o culpado é quem? É quem toma conta, é quem é pago para isso. Cadê a segurança? Cadê a vigilância?
COMO SEREI SEPULTADO
Então, eu quero expressar essa minha indignação, porque eu já vou ser sepultado aqui no mato, para evitar justamente tomar o espaço do outro. Aqui tem minha capelinha, já tem meus avós, entendeu? E o vaqueiro. Então, é aqui onde eu quero ser sepultado. Quero ser sepultado sem caixão, no chão limpo. Meus amigos sabem disso. E ainda quero ser sepultado com um pano branco de linho que um amigo vai dar esse pano. Não pode ser comprado. Veja como é que eu penso. O respeito até com o solo, com o espaço.
E você vê, em uma cidade como Serra Talhada, ultrapassando os 100 mil habitantes, e esse descaso que está acontecendo, não é de agora, isso vem puxando de lá para cá. Só que agora chegou o caos total. A cada dia é uma bagunça, é um escândalo. Então, vamos analisar, friamente, respeitosamente, como é que você fica sabendo que o espaço que foi sepultado dos seus pais, dos seus queridos, se encontra em uma situação dessa.
Então, o Farol faz a reportagem e expressa o sentimento das pessoas. Sempre tive uma boa maneira de convivência com esse órgão, o Farol de Notícias. Então, minha gente, eu gostaria que a sociedade de Serra Talhada cobrasse, porque tem uma guarda municipal, tem uma guarda patrimonial e tem uma segurança. Então, minha gente, esse cemitério está abandonado.
No Dia de Finados, você vai, porque fazem aquela festa, porque tem um comércio que vende o picolé, vende a flor, vende a vela, aí tem um adjunto. E o resto fica na esculhambação.
Eu quero dizer que Serra Talhada tinha um cemitério onde hoje é um Hemope, desmancharam do dia para a noite, ninguém deu satisfação a ninguém e acabaram construindo um Hemope. Há tanto espaço no território desse município que poderia ser aproveitado para construir um Hemope e deixar aquilo ali para que as pessoas fossem fazer as suas visitas.
Então, minha gente, eu estou triste, é o aniversário de Serra Talhada, 175 anos, e eu tenho certeza de que o que está acontecendo agora, nesses 175 anos, quem sabe, se não se acentuou agora. Fonte: Farol de Noticias.
