Os representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia votaram nesta sexta-feira em Bruxelas
Publicado: 09/01/2026 às 08⌚ 47 | Atualizado às 12⌚ 15.
UE aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre comércio com o Mercosul (Nicolas TUCAT / AFP)
Após mais de 25 anos de negociações, os países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) o acordo com o Mercosul, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.
O acordo, que ainda depende do aval do Parlamento Europeu, inclui diversas cláusulas destinadas a conter a oposição dos agricultores do bloco.
Em uma reunião de embaixadores em Bruxelas, os 27 Estados-membros da União Europeia alcançaram nesta sexta-feira uma maioria qualificada, apesar da oposição de países como França, Polônia, Irlanda e Hungria.
Trata-se de um “passo importante na política comercial europeia e um forte sinal de nossa soberania estratégica”, comemorou o chefe do governo alemão, Friedrich Merz, um dos principais defensores do acordo.
Com esse resultado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai e assinar o acordo com o Mercosul na segunda-feira.
Mesmo com a assinatura prevista em Assunção, o acordo não entrará em vigor de imediato, já que, do lado europeu, também será necessário o aval do Parlamento Europeu, que deve se pronunciar em um prazo de várias semanas.
O desfecho na Eurocâmara é incerto, já que cerca de 150 eurodeputados, de um total de 720, ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.
A Comissão Europeia negocia desde 1999 esse amplo acordo com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, e a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral.
O setor agropecuário europeu teme o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.
Protesto de agricultores contra acordo UE-Mercosul na França ( THOMAS SAMSON / AFP)


Países críticos do pacto, como a França, avaliam que o mercado europeu pode ser seriamente afetado pela entrada de produtos sul-americanos mais competitivos, devido a normas de produção consideradas menos rigorosas.
Já os defensores, como Espanha e Alemanha, estimam que o acordo diversificará as oportunidades comerciais para uma União Europeia pressionada pela concorrência chinesa e pela política tarifária dos Estados Unidos.
A Itália, que em dezembro havia se alinhado à oposição liderada pela França e conseguido então bloquear o acordo, mudou de posição nesta semana.
A primeira-ministra, Giorgia Meloni, comemorou o “equilíbrio” alcançado com as novas cláusulas de proteção ao setor primário.
“Sempre dissemos que somos favoráveis ao acordo com o Mercosul quando houver garantias suficientes para nossos agricultores”, afirmou.
– Concessões ao setor agropecuário europeu –
Para conter a insatisfação de agricultores e pecuaristas, preocupados com o impacto da redução de tarifas, a Comissão elaborou nos últimos meses uma série de cláusulas e concessões.

