O porta-voz do grupo em Gaza, Hazem Qasim, declarou que foi tomada uma decisão clara e definitiva para que as instituições governamentais do enclave transfiram o controle para o comitê
Publicado: 12/01/2026 às 15:06
Ataque israelense em Gaza. (OMAR AL-QATTAA / AFP)
Nesta segunda-feia (12), o Hamas afirmou que os órgãos governamentais sob o seu controle na Faixa de Gaza estão totalmente preparados para entregar o poder a um comitê palestino independente para governar o território.
O porta-voz do grupo em Gaza, Hazem Qasim, declarou num vídeo que foi tomada uma decisão clara e definitiva para que as instituições governamentais do enclave transfiram o controle para o comitê, que será formado na segunda fase da trégua e que se encontra ainda dependente de negociações.
“Esta decisão de entregar o controle na Faixa de Gaza faz parte da nossa implementação do acordo de cessar-fogo e dá prioridade ao supremo interesse nacional”, disse Qasim.
O acordo proposto no plano de paz dos Estados Unidos estipula que Gaza será governada a título transitório por um comitê tecnocrático e apolítico, constituído por palestinos e especialistas internacionais, sob a supervisão de um Conselho de Paz dirigido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Mas, segundo Qasim, Tel Aviv não quer avançar para a segunda fase devido a cálculos internos relacionados com a coligação governamental e lutas internas pelo poder dentro do governo, liderado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O porta-voz do Hamas responsabiliza Israel pela falta de progressos no acordo de paz em Gaza, apesar do grupo ter cumprido todas as suas obrigações relativas à primeira fase da trégua.
“É evidente que os cálculos de Netanyahu são internos e relacionados com as suas perspectivas eleitorais”, indicou Qasim, que acusou também Israel de cometer graves violações do cessar-fogo e de planejar um regresso à guerra.
Reféns
A primeira fase do cessar-fogo estabeleceu a libertação dos 48 reféns, vivos e mortos, em troca de centenas de prisioneiros palestinos, além da retirada parcial do exército israelense e a entrada de ajuda humanitária em larga escala no território.
Por outro lado, Israel diz que aguarda e falta à localização e a entrega do último corpo de um refém antes de avançar para a segunda fase do acordado.
Enquanto isso, o Hamas alega dificuldade em encontrar os restos mortais do refém, devido às extensas pilhas de escombros que se acumularam durante o período do conflito, argumentando que não disponibiliza de equipamentos para as buscas.
Já a segunda fase do plano prevê a formação de um governo de transição sem o Hamas, o desarmamento do seu braço militar e a criação de uma força internacional de paz.
Por sua vez, o jornal israelense Times of Israel, noticiou que Washington realiza conversações com os outros mediadores do conflito, Egito, Catar e Turquia, que confirmaram à Casa Branca que o Hamas aceitará um plano de desarmamento gradual que teria inicio com a entrega do seu armamento pesado.

