Espanha autoriza passeios com crianças durante isolamento para conter expansão do coronavírus

O país, que nas últimas 24 horas registrou o menor saldo de mortes diárias em mais de 1 mês, adotou em 14 de março um dos mais rígidos confinamentos do planeta.

Fonte: G1 Mundo (Ao) portal Neto Gaia (Foto: divulgação

Uma família que usa máscaras protetoras dá um passeio depois que as restrições foram parcialmente levantadas para crianças pela primeira vez em seis semanas, durante o surto da doença por coronavírus em Bilbao, norte da Espanha, neste domingo (26) — Foto: Vincent West/Reuters

Depois de seis semanas trancadas em suas casas, as crianças espanholas começaram a sair neste domingo (26) para brincar ou passear nas ruas, num momento em que a Europa começa a flexibilizar o confinamento imposto pela pandemia de coronavírus, que deixou mais de 200.000 mortos no mundo.

Esperavam impacientemente há dias por esse momento. “As crianças acordaram cedo perguntando quando íamos descer à rua”, diz Miguel López, pai de dois filhos de seis e três anos de Madri.

Mas sair não significa voltar à vida de antes. Os mais novos devem estar acompanhados de um adulto, não podem brincar com os vizinhos, nem se distanciar mais de um quilômetro da casa, tudo isso por não mais de uma hora. E os parques ainda estão fechados.

“Ficar a dois metros de distância [entre crianças e terceiros] no centro de Madri é impossível. Saímos cedo para não encontrar outras crianças”, diz uma bibliotecária que não quis se identificar, mãe de um menino de cinco anos e de uma menina de 8, que mora em um apartamento sem varanda no bairro de La Latina.

“Eles não conseguiram dormir esta noite. Estavam muito ansiosos”, continua. “Sabem muito bem que não podem tocar em nada. Eles não têm medo da verdade (…) Nós [adultos] temos mais medo”, admite.

23 de abril - Mulher aplaude da varanda para apoiar equipe médica que está trabalhando em meio ao surto de coronavírus (COVID-19), em Barcelona, na ​​Espanha — Foto: Emilio Morenatti/AP
23 de abril - Mulher aplaude da varanda para apoiar equipe médica que está trabalhando em meio ao surto de coronavírus (COVID-19), em Barcelona, na ​​Espanha — Foto: Emilio Morenatti/AP

23 de abril – Mulher aplaude da varanda para apoiar equipe médica que está trabalhando em meio ao surto de coronavírus (COVID-19), em Barcelona, na ​​Espanha — Foto: Emilio Morenatti/AP

A Espanha, que nas últimas 24 horas registrou o menor saldo de mortes diárias desde 20 de março, com 288 novos óbitos, adotou em 14 de março um dos mais rígidos confinamentos do planeta.

Com um total de 23.190 mortes, é o terceiro país mais afetado no mundo pela pandemia iniciada na China no final de 2019, atrás dos Estados Unidos (mais de 53.000) e Itália (26.384), seguida pela França (22.614) e Reino Unido (20.319).

Dúvidas sobre a imunidade

O desconfinamento é um quebra-cabeça para as autoridades, à espera de uma vacina ou remédio que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), serão as únicas coisas que permitirão que a pandemia seja contida.

A Espanha estendeu a quarentena até 9 de maio. O presidente do governo, Pedro Sánchez, apresentará na terça-feira um plano para amenizar as medidas a partir de meados de maio.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez preside encontro do Comitê Técnico de Gerenciamento do Coronavírus, em Madri, no sábado (25) — Foto: Borja Puig de la Bellacasa/La Moncloa/AFP
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez preside encontro do Comitê Técnico de Gerenciamento do Coronavírus, em Madri, no sábado (25) — Foto: Borja Puig de la Bellacasa/La Moncloa/AFP

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez preside encontro do Comitê Técnico de Gerenciamento do Coronavírus, em Madri, no sábado (25) — Foto: Borja Puig de la Bellacasa/La Moncloa/AFP

Mas, se as infecções continuarem a diminuir, a partir do dia 2, os adultos poderão caminhar ou se exercitar, como em outros países europeus.

A OMS recordou que, “atualmente, não há evidências de que pessoas curadas da Covid-19 e que possuam anticorpos sejam imunizadas contra uma segunda infecção“. E alerta para a ameaça de uma segunda onda pandêmica mortal.

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