ALEPE: Especialistas e deputados defendem instalação de usina nuclear em Itacuruba

Fonte: Redação Alepe | Ao portal Neto Gaia / Ás 05h 35

A proposta de instalação de uma usina nuclear em Itacuruba, no Sertão de Itaparica, foi debatida pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Alepe, em reunião extraordinária na manhã desta segunda (7). Especialistas da área defenderam a instalação do empreendimento, ressaltando o desenvolvimento que o projeto pode levar à região. À tarde, o assunto repercutiu na Reunião Plenária, com pronunciamento do deputado Antonio Fernando (PSC), que recebeu apartes.

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A ideia de construir uma usina nuclear em Itacuruba começou a ser discutida em 2011, a partir de estudos promovidos por um programa de expansão da energia nuclear brasileira. A cidade foi escolhida pela Eletronuclear como a melhor opção para a instalação das primeiras usinas do tipo na Região Nordeste.

Como o aumento da população e a diminuição das chuvas, a matriz elétrica brasileira, que é 65% hidráulica, tem sofrido sérios comprometimentos. A afirmação foi feita pelo diretor de Operações da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique de Araújo Neto. “O Nordeste tem vocação para ser uma região exportadora de energia elétrica, mas, para isso, é necessário planejamento e uma matriz energética diversificada e segura, que possa atender o consumidor a qualquer momento”, informou.

ESTUDO - Professora da UFPE, Helen Khouri apresentou detalhes sobre o uso da energia nuclear nas áreas da saúde, indústria, agricultura e conservação de alimentos. Foto: Roberta Guimarães

ESTUDO – Professora da UFPE, Helen Khouri apresentou detalhes sobre o uso da energia nuclear nas áreas da saúde, indústria, agricultura e conservação de alimentos. Foto: Roberta Guimarães

A professora Helen Khouri, do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apresentou detalhes sobre o uso da energia nuclear nas áreas da saúde, indústria, agricultura e conservação de alimentos. Para a especialista, a desinformação pode atrapalhar a chegada do empreendimento a Itacuruba, fazendo a cidade perder uma oportunidade de desenvolvimento.

“Nós tivemos o momento histórico da escravidão, mas agora há os chamados ‘escravos tecnológicos’. Se nós não tomarmos cuidado, vamos ser mais um daqueles países onde não se pode desenvolver as tecnologias de ponta e continuaremos pagando royalties”, acredita Helen. A professora alertou, ainda, para a falta de informação da população sobre a energia nuclear e sugeriu que sejam feitas outras reuniões para que as pessoas possam saber mais sobre o tema.

O engenheiro eletricista Carlos Henrique Mariz também defendeu o projeto. Ele apresentou detalhes sobre a matriz energética mundial e sobre a participação da energia nuclear nesse contexto. Segundo ele,  esse tipo de energia é uma das mais limpas e seguras. “Hoje são 444 usinas operando no mundo há mais de 20 anos, 24 horas por dia”, contabilizou. 

“Os três acidentes que ocorreram tiveram números de mortes pequenos. As pessoas têm que se tranquilizar com relação a isso. O mundo todo continua construindo usinas nucleares, que são a forma mais segura de produção de eletricidade que o homem desenvolveu”, prosseguiu. Mariz mostrou, também, dados sobre o baixo consumo de energia no Brasil e destacou que há uma relação direta entre esse dado e o desenvolvimento econômico.

INFORMAÇÃO - Proponente de PEC que autoriza usinas nucleares em Pernambuco, Feitosa afirmou que receio das pessoas é proporcional ao desconhecimento sobre o assunto. Foto: Roberta Guimarães

INFORMAÇÃO – Proponente de PEC que autoriza usinas nucleares em Pernambuco, Feitosa afirmou que receio das pessoas é proporcional ao desconhecimento sobre o assunto. Foto: Roberta Guimarães

Tramitação – O deputado Alberto Feitosa (SD) é autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 9/2019, que permite a instalação de usinas nucleares em Pernambuco. Em defesa da matéria que ainda tramita na Alepe, ele considera que não se pode prescindir de investimentos que podem gerar milhares de empregos e trazer retorno financeiro ao Estado e aos municípios. 

Feitosa afirmou que o receio das pessoas em relação à instalação de uma usina nuclear em Pernambuco é proporcional ao desconhecimento que elas possuem sobre o assunto. Por isso, ele afirmou que vai sugerir ao Governo do Estado que promova ações educativas que ajudem a tirar as dúvidas da população. “O esclarecimento é fundamental para que a gente possa não só ter o equipamento, mas, também, oportunizar às pessoas opinar de maneira correta.”

O eventou contou ainda com a participação do prefeito de Itacuruba, Bernardo Maniçoba, dos deputados Antonio Fernando, Henrique Queiroz Filho (PL), José Queiroz (PDT), Joel da Harpa (PP), Sivaldo Albino (PSB), Waldemar Borges (PSB) e William Brígido (REP), além de representantes da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Universidade de Pernambuco (UPE).

Entre os dias 16 e 18, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Alepe vai visitar as instalações das usinas nucleares de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O objetivo é conhecer os detalhes do funcionamento e das medidas de segurança e proteção ambiental do empreendimento.

TRIBUNA - À tarde, Antonio Fernando retomou tema em Plenário: “População da região deve decidir, mas, para isso, é preciso que o assunto seja esclarecido”. Foto: Roberto Soares

TRIBUNA – À tarde, Antonio Fernando retomou tema em Plenário: “População da região deve decidir, mas, para isso, é preciso que o assunto seja esclarecido”. Foto: Roberto Soares

Plenário – À tarde, Antonio Fernando levou o assunto à tribuna, ao elogiar as discussões técnicas travadas na audiência pública, e para defender a instalação do equipamento em Itacuruba. “Acredito que a população da região é que deve decidir, mas, para ela tomar a decisão, é preciso que o assunto seja esclarecido de maneira objetiva. Estou à disposição para trabalhar nesse sentido”, afirmou o deputado do PSC.

O parlamentar esclareceu que os rejeitos produzidos pela usina nuclear – objeto de preocupação de muitos dos que se opõem ao projeto – podem ser vendidos para outros países, que os reutilizam. “O urânio utilizado pela usina tem valor agregado, e países como o Japão têm interesse em importá-lo”, informou. Sobre os riscos da planta, Fernando garantiu, a título de comparação, que eles são menores que os oferecidos pelo Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes à população que mora na Região Metropolitana.

O discurso ganhou os apartes dos deputados Joel da Harpa, Doriel Barros (PT), Wanderson Florêncio (PSC), João Paulo (PCdoB), Priscila Krause (DEM), Alberto Feitosa, Henrique Queiroz Filho e Fabrizio Ferraz (PHS). Para Joel da Harpa, os investimentos do projeto – estimados em R$ 30 bilhões – são fundamentais para a região, especialmente em um momento de crise econômica.

Já Doriel Barros propôs a realização de uma nova audiência pública, dessa vez no município de Itacuruba. “Temos que ouvir a população e os movimentos sociais”, argumentou o petista. “Os resíduos nucleares precisam ser monitorados por dez mil anos. Não podemos comprometer as próximas gerações com um lixo produzido por nós”, pontuou Florêncio. João Paulo resgatou, como comparação, o projeto de construção da Barragem de Itaparica, que inundou a antiga cidade de Petrolândia (Sertão), em 1988. “Temos que nos atentar porque os investimentos prometidos à população, naquela época, não foram entregues”, frisou.

“Nossos debates devem buscar o desfazimento de mitos e não podem se pautar na ideologização. O trabalho precisa ter como fim o bem coletivo”, opinou Priscila Krause. “Os técnicos que participaram da audiência pública garantiram que o material nuclear não terá contato com as águas do Rio São Francisco”, esclareceu Alberto Feitosa, respondendo às preocupações ambientais apresentadas por alguns parlamentares. “O projeto pode transformar a realidade econômica de toda uma região”, destacou Queiroz Filho. “Saber que a população local não ficará com a responsabilidade de guardar o material tóxico, como esclareceu Antonio Fernando, foi um avanço desse debate”, concluiu Ferraz.

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